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domingo, 17 de junho de 2012

Nota ao público

Pensando em fazer um blog anônimo para contar as peripécias que aconteceram no último mês. Tenho vontade de contar pra tentar ser sarcástica e levar no bom humor, mas e o medo da galera ler e querer vir 'ajudar'? Cansei de falar da minha vida e as pessoas tentarem solucionar, mas sem dar soluções.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Chega.

Era o que me faltava. Vejo a gota de água a resvalar em câmara lenta pela borda do copo. Era um erro à espera de vaga, não percebe? Há a emoção e então o que você faz com ela. E a gente não controla sentimento, mas controla a atitude.  


I spend every hour waiting for a phone call
That I know will never come
I used to think that you were the one
Now I'm sick of thinking anything at all

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Stronger

Christina Aguilera falava por mim há uns meses atrás cantando 'And suddenly, it's hard to breathe' (como vocês bem viram aqui). Hoje numa conversa de twitter, vi o quanto as coisas mudaram. Não quero entrar em detalhes, não quero mais explicar e justificar tanto minha vida, mas, deus, que mudança. Uma volta por cima. Já tinham previsto isso, mas na época, eu não acreditava, não enxergava esse futuro. E, caso enxergasse, nunca imaginaria que chegaria tão rápido. 

Não fico remoendo, revendo, analisando o que aconteceu. Não preciso. Quando tenho a certeza que agi corretamente e estou certa, não olho pra trás, não revejo minha atitude, porque é tão simples de enxergar. Mas também não esqueço, não perdoo. As vezes me enxergo com uma alma de Amanda Clark, esperando, silenciosa, o dia que poderei dar o troco. Ou como menina Pollyanna falou, Tieta voltando para Santana do Agreste, rica e humilhando todos que fizeram ela passar por dificuldades tempos atrás. Mas na verdade é só uma vontade de que saibam o quanto eu tô bem, em tão pouco tempo. E engulam tudo que falaram e se arrependam das atitudes.  

Há pouco ouvi essa música e, meu deus, quero embrulhar numa caixinha de presente com laço de fita e mandar pra as pessoas que merecem. Com um bilhetinho "Thought I would forget? But I remember.". E vou lembrar pra sempre. Mas eu agradeço. Sou uma pessoa tão melhor hoje. Tão melhor. 

http://www.youtube.com/watch?v=PstrAfoMKlc

domingo, 11 de março de 2012

P.S.




Queria dizer que o post abaixo foi escrito em plena TPM adicionada à solidão do 1° sábado a noite sozinha. E muitos dias bate essa depression feelings e realmente tudo isso vem à cabeça. Mas na maioria das vezes, é um estar fudida na vida e sorrindo. Sem ser falso, sem ser teatro. Realmente bem.






Uma coisa bem "mesmo triste, eu tava feliz".


sábado, 10 de março de 2012

Dos desabafos presos na garganta

Eu sinto falta de um diário. Deixei meu caderno de pensamentos em Brasília e ele bem já estava no fim, então não ia adiantar muito. Mas há um desejo gigante de escrever e escrever, sem saber do que estou falando e onde vou parar, com a consciência que não vou ser julgada ou ser lida por quem não quero que saiba da minha vida.

Há um tempo venho procurando assuntos diversos para falar em público, seja na internet ou no ao vivo, qualquer assunto que não seja as coisas pesadas que constituem minha vida. As pessoas falam que eu faço muito drama sobre tudo e olha, bem concordo. Mas aí lembro do tanto de coisa que aguento calada, que nunca abro a boca pra expor e veja bem. É tanto, tanto. Tinha uma menina na minha faculdade que culpava tudo na vida dela pela depressão que ela tinha. Depressão que veio por não inúmeros problemas, até reais e dignos. Mas sempre odiei essa atitude. De ser a coitadinha na vida, de culpar seus erros atuais pelo passado, de serem brandos e amenos com você porque existem situações piores do que aquela. Sempre engoli meus problemas a seco. Os grandes, eu digo.

E aí eu vou digitar ou conversar com alguém e antes olho pra todos os itens da minha vida e: silêncio. Não tenho do que falar, não tenho assunto que não seja um triste ou que provoque pena ou a famosa frase "ai, sei nem o que te dizer". Consigo fazer piadas em alguns temas ainda, naquela fuga de buscar o sarcasmo como uma forma de fingir que não tá doendo. Está. Muito. E minha risada quebra no meio e meu olhar deve ser triste, porque até as pessoas deixaram de acreditar que não me faz mal.

E é até engraçado a ironia de algumas situações. A confraternização exagerada com o "inimigo", como se fosse uma vontade de descobrir o porquê, uma busca pelo sofrer quando chego em casa. As pessoas reclamando de falta de dinheiro enquanto compram carros e viagens ou choramingando sobre seus empregos. A volta em looping infinito para o passado, simplesmente porque não há futuro. Novamente, uma risada vazia. Porque cansei de rir de mim mesma. Cansei de ser forte.

E cansei de falar também, de me explicar, de detalhar, de falar sobre. Sobre tudo e qualquer coisa. Até minhas histórias paralelas que me faziam esquecer o essencial não me agradam mais. Sufocam. Vi meus sorrisos se tornarem vazios e, aos poucos, começo a ver minha voz indo junto. Ariel, de novo. E só penso que quero refúgio, não sai da minha cabeça dias de isolamento e minha vontade é um edredon gigante e vários Twix. Até sarar, até curar. E vai?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O fechar das cortinas

Aconteceram situações nos últimos dias que me fizeram sair da minha personagem. Eu já tinha falado muito sobre isso nesse blog, principalmente aqui e aqui .

A personagem de putetê, de festas e farras e loucuras sem fim, eu deixei pra trás há 7 meses atrás, quando fui embora de Salvador. Como previa, ela não voltou assim que pus os pés de volta na cidade. Era de se esperar, depois de tudo que passei, dos tombos e tapas na cara que levei. Mas teve gente já perguntando, questionando, procurando por ela. E não faço ideia quando vai voltar.

Aí tinha a outra personagem. A do caso amoroso. Que eu nem criei, veja bem, veio por si só e tomou formas pela boca do povo. Meu único erro foi nunca negar, nunca consertar o achismo que existia. Foi ficando maior e virou certeza. E eu deixei, por mil motivos. Porque era cômodo, porque era chamativo, porque era um esconderijo pra meus sentimentos verdadeiros. E agora, que a verdade apareceu, quem eu gosto de verdade se tornou público, tudo começa a ficar claro na minha cabeça. E esse menino lindo, Thiago Oliveira (que, olha só, é o meu suposto cunhado na invenção romântica), que me abriu os olhos e me fez enxergar tudo que eu sou e que devo mudar. Pra ficar bem explicado, só lendo o passo a passo do meu cérebro descobrindo meu eu:

Thiago Oliveira
E por que você nunca disse que gostava dele?

Mariana Coelho
Porque: pra que?
Eu sabia que ele não queria ficar comigo, que me via como amiga e que eu não sou o tipo de mulher que ele curte e não rola clima.
Ia falar pra ficar nessa situação que to odiando hj?
Era cômodo pra mim ele achar que eu gostava de Silvério, era uma personagem.

Thiago Oliveira
É, sei la, a gente sempre quer o impossível. Algumas pessoas querem o impossível no amor.
Você já pensou nisso?
Se você não ta querendo as coisas erradas?

Mariana Coelho
Já.
Tem um texto que reli hoje, que postei no meu blog que resume.
Pere que pego:

"- Tu pertences a um tipo de mulheres que só vivem a plenitude do amor na distância ou na impossibilidade. És aquilo a que eu chamo uma Mulher Impossível, porque amas com todas as tuas forças os homens que por uma razão ou outra não podes ter. Para ti o amor é a própria luta pelo amor, não é uma construção nem uma edificação. Por isso não te casas, não crias as bases para ter uma família, e ser uma esposa exemplar.

Talvez o meu estado de encantamento seja exactamente este, o pré alguma coisa. Foi o que mais gostei de viver com o Ricardo e também com o Francisco. O ANTES DE. No durante as coisas já não correram tão bem. Talvez eu goste de gostar, goste de me apaixonar, goste do trabalho que tudo dá ao princípio, sem investir na realidade. E talvez a minha limitação seja exactamente esta; a de não saber sobreviver ao dia-a-dia sincopado e circular da monotonia da convivência permanente que mata quase tudo, a paixão, o fogo, o mistério e até a proximidade."

- Bem, esta conversa já está muito longa, mas sabes o que é que eu acho? Que tu no fundo ainda não cresceste, ainda vives o amor de uma forma lírica, muito adolescente. Eu espero que tu nunca percas essa frescura e entusiasmo pela vida e pelos outros, mas tens que crescer um bocado, Inês, não podes continuar a achar que és a Gata Borralheira...
- Ou a Dorothy, a correr pela estrada dos tijolos de ouro."

Mariana Coelho
Sou eu D:

Thiago Oliveira
Mas você quer ser assim? Para sempre?

Mariana Coelho
Não né, mas como escolhe? Já tentei ficar com quem me queria e foi brochante, vivi 2 anos vazios porque não era o que eu queria. E quem eu quero não me quer eternamente.
What can i do?

Thiago Oliveira
Não precisa ficar com quem te quer.
Quer dizer, esse seria um bom passo. Mas é mudar mesmo, esquecer certas coisas.
A gente não pode passar a vida fingindo que somos personagens.

Mariana Coelho
Não sei.. Eu tento, sei lá, eu não gosto de ficar nessas, de passar 6 anos com seu irmão sem ter nada sério e mais 3 anos gostando de outro que nunca nem fiquei.

Thiago Oliveira
É legal e tal, é massa fazer metaforas de si. Brincar, fazer paralelos com historias. Invente uma nova personagem q não seja essa.

Mariana Coelho
Pois é, eu já tinha reparado isso hoje mais cedo, que eu tinha que mudar meu externo, o que as pessoas veem, porque assim não dava mais certo. É uma farsa, sempre e quando eu me mostro de verdade, nego não entende ou não gosta. Aí eu volto atrás pra o teatro e é uma merda.

Thiago Oliveira
Mas você acha que é um problema de percepção dos outros ou de como você se comunica?
Porque a percepçao dos outros é difícil de mudar, mas você pode se mudar mais facilmente [embora seja difícil também].

Mariana Coelho
De como me comunico.
Porque eu percebo que faço o teatro.
Esse negocio mesmo de nego achar que eu gosto de Silvério, eu podia tão facilmente ter resolvido isso, só bastava negar 1 ou 2 vezes. Mas não, fiquei nessa punheta pra me esconder e pra fazer historinha pro público.

Thiago Oliveira
Mas você gosta da atenção que recebe por ser a rejeitada.

Mariana Coelho
Não necessariamente a rejeitada, mas adoro por exemplo que beijei ele no palco de formatura e todo mundo ficou "eu sabia, vocês vão casar, etc" e de coisas como Geovana me parar no meio do carnaval e armar um plano pra ele acabar com namorada e voltar (????????) pra mim.
Eu gosto de ter história, de ser atriz principal.

Thiago Oliveira
Então.
Mas não deixa de ser o papel da que não está com o cara que ama.

Mariana Coelho
Mas nao é de ser a babaquinha que ama ele e ele não me da bola... É uma vibe de "a gente se ama mas nao dá certo".
Sei la, ó pra minha cabeça, que complicação.
E hoje que isso tá caindo em realidade pra mim mesmo, que eu realmente fiz tudo isso.
Tipo, não que meu sentimento por ele seja zero. Não tem como né, 6 anos de romance, não tem quem não sinta nada. Mas também não é tudo isso que eu deixo as pessoas falarem e acharem que é.

Thiago Oliveira
Então, são os ganhos secundários das opções que você faz.
Você não fica com o rapaz, mas fica com essa coisa de injustiçada da vida, de sofrida e tal.

Mariana Coelho
É.
Maria do bairro.

Thiago Oliveira
É.

Mariana Coelho
Aff sou muito tosca.
HAHAHHAHAHHAHA
jesus

Thiago Oliveira
Muita gente é assim.
Muita.

Mariana Coelho
É, mas sei lá, eu tenho que definir aonde termina o personagem e onde começa a verdade. As duas coisas existem, mas peco mais pro lado da farsa e tenho que parar com isso.
Tipos que eu queria entrar com Legião ou algo do tipo na formatura e me proibi porque não combinava com quem eu era na faculdade. Tipo isso.

Thiago Oliveira
Mas pense nisso, no lugar que se coloca no mundo, até em como você fala sobre você.

Mariana Coelho
É.
Tenho que parar de me queimar.
Aquelas coisas "macaco de circo é divertido, mas não é sensual". Não que eu queira ser sensual o tempo todo, mas eu só sirvo pra ser porra louca e divertir os outros, mas acaba por aí.

Thiago Oliveira
Não sei também, viver para os outros é um cu
Mas é uma super parte da vida social.

Mariana Coelho
Mas a gente tem que parar de pensar nos outros e pensar mais na gente. Igual tava falando no twitter outro dia, fico curando deprê de neguinho que não cura a minha depois.. Mando mensagem de madrugada preocupada e quando sou eu, nego só pergunta 3 dias depois se tá tudo ok.
Então né, tipos, largar o foda-se e ser você e quem quiser que aceite.

Thiago Oliveira
Velho, viver sem ligar para os outros não existe.
Existe escolher as pessoas.

Mariana Coelho
Sim, mas num nível "me aceitem" porque eu sou assim e pronto.
Não ter que fingir pra ser aceita, pra ser linda.
Sei lá, eu nunca posso estar triste, chorando ou ouvindo musicas deprês que nego vem "ah, você não é assim, pare com isso"
Broder, quem disse que eu não sou assim? Sou muito assim. Mas eu sociedade eu finjo que não sou. Ai quando quero ser, nego nao me dá o direito de ser nem por um determinado tempo?

Thiago Oliveira
É. É foda. Mas nunca me disseram esse tipo de coisa, me poupe. É um horror, alguém dizer isso.

Mariana Coelho
Pois é, mas é sempre assim. Todo comportamento que eu tenho fora desse personagem público, nego recrimina e diz que não sou eu, que é pra eu mudar. Sem percerber que aquilo ali sim sou eu.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

...


Queria poder usar reticências na vida real, porque tem certas coisas que só se responde com "...".

Passei a última semana respondendo negativamente quando me perguntavam se eu estava empolgada ou ansiosa pra ir pra Salvador. Porque realmente não estava. Não era um sacrifício também, mas também não era uma felicidade. Ausência de sentimentos, como há meses vejo acontecer aqui em mim. Ia porque tinha coisas sérias pra resolver lá, as provas que tenho que fazer. Somente.

Engraçado como as coisas podem mudar tanto em questão de horas. Agora, depois de discussões, não vejo a hora de pisar em solo baiano. Minha vontade a tarde toda foi catar as malas e esperar até amanhã no aeroporto mesmo, só para ficar sozinha. Porque é isso que (mais uma vez), a vida me mostra. Que eu tô aqui sozinha e tenho que aprender a estar e ser assim. Ser independente e esperar quase nada das pessoas. Porque é isso que elas estão dispostas a dar.

Enfim. Só mais um dia. Dentre tudo dos últimos meses, é pouco. É como um presente, saber que não vou ter que esperar nem 24h pra essa agonia no peito acabar.

Mas os últimos dois parágrafos do post abaixo nunca fizeram tanto sentido. Vou descobrir logo mais o que vai acontecer e se eu estou preparada. Se sim, ótimo, vou levar pra vida essa lição que eu vinha tendo em doses homeopáticas há anos, mas só agora se tornou real. Se não, melhor ainda. Que venha o que tiver que vir. Foda-se. I don't care anymore. Cansei.

"Quem esquece o passado está destinado a repeti-lo."


Eu sei que eu tô fazendo merda. Eu sei que é um erro. Eu sei. Mas um erro é um erro quando ele é a única opção existente? Continua sendo um erro quando na verdade você é forçada àquele caminho, por que não há nenhum outro que você pode escolher?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O peso do mundo em minhas costas


Eu não consigo entender muito bem as pessoas que me obrigam a tomar decisões ou dar respostas que eu ainda não tenho. Como te dizer o que eu quero, o que eu vou fazer, o que será, se eu mesma ainda não sei? Como escolher se eu ainda não tenho todos os fatores que interferem aqui na mão?

Me tratam como se eu estivesse de manha, como se fosse uma defesa ou uma forma de ser mimada pela insistência do lado de lá. Antes fosse. Antes tudo dependesse das minhas emoções infantis não resolvidas. É tão mais profundo.

E em 2 dias eu pego um avião sem passagem de volta comprada. Igual eu fiz 6 meses atrás. Mas na época a mala vinha cheia de saudade, mas com muita esperança, com alma limpa, com vontade de ver o que ia ser e com fome de viver aquilo. Tudo caiu, os sonhos, as certezas, as vontades. Sobrou medo, desamparo, crises, depressão. Foi terrível, de um jeito que eu nem sei explicar ou falar sobre. Hoje olho pra trás e nem sei como sobrevivi. "Ali onde eu chorei, qualquer um chorava. Dar a volta por cima, quero ver quem dava.".

Há quase dois meses tudo melhorou, em pequenos passos, aos pouquinhos e com doses diárias de sorrisos e carinho. Um dia eu deitei na cama e dormi sem chorar, sem rolar no colchão por horas e sem pensamentos horríveis embalando o sono. Era tudo que eu pedia há muito tempo.

Agora é hora de deixar tudo isso para trás. Hoje comecei a separar roupas e pertences sem saber quanto tempo ficaria fora, sem saber se levava o mínimo ou o máximo. Enquanto isso, Guilherme sentado na cama ouvindo músicas infantis no meu notebook quase me fez chorar. Porque percebi que é real. A despedida. E a onda de insegurança e receio começou a vir e foi piorando.

É desesperador não saber como será seu futuro. E não falo futuro como algo que vai acontecer daqui a meses ou anos; se eu vou casar, ter filhos, como vou morrer, se vou ganhar muito dinheiro. Falo de futuro próximo, de não saber onde vou estar morando daqui a 2 semanas, não saber se vou ter dinheiro pra comprar comida daqui a 1 mês, não saber se vou ter as coisas básicas para (sobre)viver. Futuro: desconhecido.

O desespero é gigante e toma conta de tudo. São dúvidas que eu nem sei expôr e não tem quem console. E é esse sentimento que eu queria que as pessoas entendessem quando me fazem perguntas que eu não consigo responder. Se elas ouvissem 10% do que passa na minha cabeça, não estariam preocupadas em me perguntar de festas, carnaval, bebidas e encontros. Porque eu não consigo mais me importar com pequenezas quando existem ondas gigantes me afogando.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Isso também vai passar


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.

Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.

Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.

Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca …

(Caio Fernando Abreu, traduzindo meus últimos meses)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mais do mesmo

Meus amigos me adoram e certamente chorariam se eu morresse. Mas será que eles sabem que eu penso sempre na morte? Será que eles sabem que aquela garota alí no canto da mesa, de decote, de bolsa da moda, rindo pra caramba, contando mais uma de suas aventuras vazias e descartáveis, acorda todos os dias pensando: o que eu realmente quero com essa vida? Como eu faço pra ser feliz?

Será que eles sabem que se eu estou morrendo de rir agora, daqui a pouco vou morrer de chorar? E vice-versa? E isso 24 horas por dia? E isso mesmo com terapia, mesmo com macumba, mesmo com espiritismo, mesmo com meditação, mesmo com o namoradinho da semana. Será que eles sabem o tanto que eu sofro e o tanto que eu não sofro a cada segundo?

(Tati Bernardi)


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Medicada

Família, a base de tudo.


E então minha família conseguiu o que nada antes tinha conseguido. Milhares de problemas, como mortes, idas semanais ao hospital, estresse de vestibular, faculdade filadaputa, comissão de formatura, miséria de não ter dinheiro nem pra comer ou pegar ônibus por meses. Todos problemas menos do que isso, menores do que o agora. Em somente três meses eles conseguiram.





No meio disso tudo, eu só penso em usar a mesma frase que usei nos meus agradecimentos do convite da formatura: "Agradeço a minha família, por NÃO me ajudarem, de nenhuma forma existente". Igual, mas ao contrário.

"Tenho irmãos, pai, mas não tenho mãe. Quem não tem mãe, não tem família." (Platão)


It must have been good but I lost it somehow


Eu cansei de falar. Na verdade, não é cansar a palavra certa, já que só contei pra quatro ou cinco garotinhas o sentimento do mundo. É não ter forças para. Porque de que vai adiantar? Fico com pena das pessoas por estarem com as mãos amarradas e fico com pena de mim mesmo quando me vejo pelos olhos delas.

Em janeiro falei uma frase no twitter: "julho, chegue logo. agosto, não chegue nunca". E, meu deus, a frase do ano. Porque resume tanto. E na época eu nem sabia da loucura gigantesca que iria ser esse fase pós-formatura. Era só um medo de virar adulta, de ir embora, de sair da faculdade.

Tem um post meu mais antigo (Bobo da corte) que falo que queria vir pra Brasília pra ser feliz todo dia, em vez de ser feliz esporadicamente, em alguma festa, cachaça ou viagem louca. Que tinha cansado de sorrisos gigantes e lembranças memoráveis, queria era paz de espírito diário. E hoje olho pro lado e vejo que não consegui nada do que esperava. Pelo contrário, até. Não deito na cama e durmo sem pensar besteiras, como imaginava. Afundo minha cabeça no travesseiro e choro a vida toda, tudo que eu poderia ser e nunca serei, tudo que eu poderia ter e nunca mais terei. Fiz uma troca injusta, tão injusta. Só perdi o que eu já tinha. E não era mais o que eu queria, mas era algo. Difícil é não ter nada, nem de vez em quando. Nada.

Me pergunto incansavelmente por que a vida me deu isso. Se vai ser sempre assim, essa sensação de não ter NINGUÉM ali por você, de não ter ninguém no mundo que faria tudo por você e te daria tudo. Alias, nem é tudo. Só quero o mínimo. Só quero alguém que queira que eu esteja lá, que goste de me ter como responsabilidade. Não por obrigação, não por pena, não por falta de coragem de me dizer não. Que realmente queira, me queira.

É todo dia escutando frases que nunca achei que ia escutar, sejam elas ditas na cara, sejam escutadas sem querer, sejam faladas por atos. Gente que ofereceu ajuda por anos e, veja bem, quando eu finalmente preciso, cadê? Abismo. Gente que abre a boca pra dizer pros outros que faria tudo que estivesse a seu alcance e, olha só, me nega o básico.

Vontade de ir embora, pra qualquer lugar, pra lugar nenhum, me entende? Porque você em algum momento senta na cama e observa o nada. Percebe que vai ser sempre assim e você nunca, nunca vai conseguir o que precisava. Dez anos procurando, em cada canto, em cada lugar E não existe mais, foi embora junto. E eu quero ir também.

É demais para mim. É muita decepção, por muito tempo, em muitas direções, com tanta força. Eu não aguento mais.


domingo, 30 de outubro de 2011

wake me up when this whole fucking life ends


Então que minha vida tá uma bagunça. Gigante. Enorme. Como eu nunca achei que estaria, hoje.

Tudo que eu previa para meu futuro, desmoronou. Está em branco. Algumas coisas eu perdi porque dependiam de outras pessoas e elas resolveram que não estão a fim mais. Outras coisas eu perdi por não querer mais, não ter mais vontade de fazer, de lutar para conseguir.

É engraçado que nos últimos três semestres (sim, ainda tenho alma de universitária e divido minha vida em períodos de seis meses), a vida foi tão simples. Ok, meu cu, não foi simples porra nenhuma. Mas as coisas davam certo dentro de um limite de defeitos, sabe? Como quando eu perdi uma matéria e fiquei com medo de não formar mais, mas aí no semestre seguinte consegui pegar todas as restantes e mais ela e ficou tudo bem. Ou quando meu estágio supervisionado no lugar que eu queria deu errado e eu tive que ligar pra minha orientadora de monografia quase chorando e pedindo para ela ser minha orientadora de estágio também. E deu tudo certo, eu fui e não sei se minha monografia tinha saído tão boa se eu não estivesse em Salvador no período. Fora que depois fiz um curso na faculdade que inicialmente eu queria estagiar e, meu deus, a 2° opção, a opção do desespero, era mil vezes melhor? E paixonites que deram errado e eu agradeço por ter me libertado rápido. E coisas da formatura que não saíram como eu queria, mas hoje vejo que deve ter sido até melhor. Ou seja. Tiveram bagunças, óbvio, QUANDO minha vida foi perfeitinha, quando a vida de alguém é? Mas eram situações onde sempre existiam alternativas, onde sempre existia aquele plano B e às vezes essas opções secundárias se tornavam até melhores. E eu podia fazer o drama que fosse, na época, ficar depressiva e irritada por uns dias, mas passava. Porque eu sabia que no final, ia dar certo.

Agora, silêncio. Eu nem sei se isso é o começo, o final, o inexistente. Como saber então se vai dar certo? Não vai. Todas as alternativas são inviáveis, todas tem erros maiores do que o aceitável, todas me fazem querer desistir antes mesmo de começar. Minha real vontade é pedir uma pausa da vida, dormir por uns 2 meses e acordar pra ver se as coisas melhoram.

Porque o pior de tudo é isso, a espera. Não posso resolver nada agora, não dá pra simplesmente arrumar uma mochila e sair resolvendo a vida. Não depende de mim, não posso adiantar o calendário. E ninguém sabe o quão angustiante é esperar uma coisa que você nem sabe se vai dar certo. E se eu esperar e esperar, engolindo orgulhos e insultos, pra morrer na praia?! E se eu estiver aqui, morrendo todo dia, num sacrifício infernal e constante, pra descobrir lá na frente que não adiantou de nada e, olha só, vou ter que recomeçar do zero, sem nem saber por onde, sem nem saber pra onde?

Eu me pergunto o que eu fiz pra merecer todas essas coisas. Me pergunto quando a vida vai deixar de ser filha da puta comigo. Me pergunto como as pessoas acreditam em karma, sendo que, se eu nem sacaneio ninguém, como posso estar assim hoje? Me pergunto como as pessoas mandam eu ter fé ou rezar ou pedir algo a deus. Se existisse um deus, ele saberia que eu choro até dormir quase todo dia. E me faria parar de ter motivos para isso.


"São manhãs submersas em recordações e saudades, a sonhar calada tudo o que quis e nunca tive mais o que mereço mas ainda não alcancei. Existe uma cadeira vazia no meio de mim. Vivo apenas os dias."

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Kansas


Tem um episódio de Dawson's Creek que a irmã do Pacey explica para o Dawson que Mágico de Oz é a maior incoerência filmada. Porque Dorothy passa o filme todo tentando voltar para casa, sendo que sua casa é retratada sem cores, em preto-e-branco, deserta. Então por que ela trocaria um lugar colorido, mágico e cheio de aventuras para voltar? Ela diz que a frase "não há lugar como nossa casa" é a frase mais falsa do cinema. E eu, que achava essa a única referência à Mágico de Oz digna de ódio, começo a entender.


As pessoas tomam conta demais da sua vida. Inventam coisas sobre você, sobre o que você está pensando e como está se sentindo. Porque é tão difícil perguntar e acreditar na resposta, né? Deve ser uma técnica que se adquire com a idade, essa de saber mais do que a própria pessoa sobre a vida dela. Querem viver por você, saber o que é melhor, como você deve agir.

Eu não sei se vou aguentar. Pensei isso quando tinha exatos 7 dias aqui. E repito frequentemente desde então. Eu sabia que ia ter esses problemas, mas não imaginava (ou não lembrava) que eram assim, tantas vezes, em tamanha intensidade.

É insuportável. Me sinto sufocada, vigiada, presa. to-dos-os-di-as. É como se eu tivesse 15 anos a menos. É como se eu não tivesse morado 4 anos sozinha, sem a ajuda de nenhuma dessas pessoas. É como se existisse uma guerra pra me fazer odiar o outro lado. É como se eu não soubesse o que EU quero pra MINHA vida. É como se eu não pudesse decidir, pensar, sentir.

Começo a me arrepender de voltar pra casa.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Repetido ad infinitum

Há momentos em que toda a ajuda psicológica do mundo não resolve nada. Por vezes, é preciso que o tédio se instale.

Você se aborrece de ter sempre menos do que todo o mundo parece ter, menos do que aquilo que deseja. Então, começa a pensar que talvez mereça coisa melhor, não porque aprendeu a amar a si mesma, ou por ter perdido todos aqueles quilos, ou por ter assistido a um caso incrível no programa do Dr. Phil, mas simplesmente porque ficou entediada. Entediada com o mesmo tipo de sofrimento repetido ad infinitum. Foi isso que aconteceu comigo, eu acho.

(Ele não está tão afim de você - o livro)


E eu podia escrever tudo novamente, em outras palavras, mas tá aqui já: http://putissimatrindade.blogspot.com/2010/11/eu-nao-tenho-esse-dom-de-apaixonar-as.html

domingo, 25 de setembro de 2011

Verdade desnecessária

"Muitas pessoas acham que o oposto de ser falso é ser rude". Acham que podem usar essa desculpa para falar qualquer coisa que pensam. Soltam pela boca uma bandeira da verdade, como se fosse necessário ser escrota para ser real. Não é, nunca é.

Como sempre digo, sempre: no dia que as pessoas entenderem a diferença entre ser verdadeiro e ser inconveniente, as relações vão ser melhores e mais harmônicas.

Queria que elas entendessem a preciosidade de um silêncio. Não concorde com aquele pensamento, não ache bacana aquela atitude, não ache que aquela seria seu jeito de fazer. Mas também não julgue. Não queira moldar. Permita que os outros tenham poder de escolher, que tenham liberdade pra seguir seus caminhos.

As vezes as próprias pessoas sabem que não é aquilo que elas querem. Ou que não estão bem. Você não precisa dizer. "A gente não precisa perpetuar complexos e problemas de auto-estima." A gente não tem esse dever de apontar o dedo e mandar ser diferente. Não tem esse direito.

E é por isso que falam que eu fico tão revoltada quando alguém se mete na minha vida que as pessoas tem medo de falar comigo e eu me ofender. E eu vou. Porque não acho certo, não acho pertinente. Eu vejo tanta coisa errada, tanta gente otária, tanta atitude bizarra e fico na minha. Engulo, desvio o assunto, olho pro lado, vou comentar com outra pessoa. Isso não é ser fraca ou falsa. É saber que cada um age do jeito que quiser. E se eu sei disso, por que você não pode saber? Por que não pode também só escutar as histórias e rir? Por que não pode esperar uma opinião ser pedida para da-la? Por que não pode ME deixar ser do jeito que EU quero ser?

É tão absurdo que vira uma daquelas coisas indiscutíveis, que não dá pra pedir para o outro entender. Ou você vem com essa capacidade ou vira incapaz pro resto da vida. E quanta gente desqualificada, quanta. E a errada ainda sou eu.





quinta-feira, 22 de setembro de 2011

waiting, hoping, wishing


"Porque eu acredito no amor como verbo, não como substantivo. Acredito que a mulher que eu amo deve saber disso o tempo todo, pelos meus atos."

E é isso. As pessos tem que parar de achar que dizer um 'eu te amo" cura tudo. Eu costumava dizer que a frase mais linda que já ouvi era "minha vida se divide no antes e no depois de você", sem perceber o real uso da palavra 'depois'. Porque se ele quisesse estar comigo ainda, de verdade, a vida dele seria dividida no antes e no durante. E parece besteira pensar assim, "era só uma frase, não leve ao pé da letra", mas quando você analisa as coisas que passaram, distante, vê que é uma metáfora de tudo que aconteceu.

Aí penso também nas "provas de amor" que ele fez por mim. Os atos. De pegar uma estrada por 7h, em pé no onibus, pra me ver... Porque eu estava alucinada por saber que ele tinha beijado outra menina e porque eu ia sair com um amigo que dava em cima de mim no mesmo dia. De me ligar 80 vezes em uma manhã e passar a noite do lado de fora da minha casa e bater o carro.. Porque eu vi mensagens escrotas no celular dele. De se tornar a pessoa mais fofa do mundo, com declarações lindas, telefonemas de madrugada, mensagens o dia todo, surpresas e carinhos.. Porque eu tinha arranjado outro namorado e ele me queria pra ele ainda.

E percebi, aos poucos, que todas as grandes histórias tinham um porquê bizarro por trás, um motivo horrível pra ele estar fazendo uma coisa tão fofa. E eu não precisava estar com alguém que me fizesse passar pelo inferno pra depois fazer meu dia. Eu queria alguém que fizesse meu dia, todo dia, com poucas coisas, com little things. Porque amor é isso.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dating


Então, tava aqui pensando. A galera dos Estados Unidos com suas manias de fazer bailes durante a escola mudam todo um conceito de vida. Porque os adolescentes já são acostumados desde cedo a sair em casal, a convidar a menina/menino pra um encontro, a buscar ela em casa, ao que dizer (e fazer) no fim da noite. A sociedade já permite que eles pensem assim.

No Brasil, você vai pra festa com amigas. No máximo, pergunta pro cara se ele vai também, torcendinho pra ele chegar em você no meio do noite. Vocês se pegam num canto qualquer e vão pra casa sozinhos. Não tem a espera pra ver se vão te chamar (e quem vai), não tem as flores na porta de casa, não tem chegar no lugar de mão dada, não tem o cavalheirismo de pagar a conta, não tem o depois no carro, não tem romantismo nenhum. É patético.

Pior é que se isso fosse uma coisa exclusiva de adolescentes, vá lá, se entende. Mas a gente cresce acostumado com isso e fica meio abobado quando quer realmente encontros e não sabe como fazer funcionar. Ou o cara não tem atitude de convidar e fica esperando uma oportunidade, um evento em comum pra te ver ou os dois não sabem direito como agir e a noite toda se torna uma completa inconveniência, com "what the hell I'm doing here?" se repetindo mil vezes na sua cabeça.

E aí a gente fica vendo esses daitings e pedidos e despedidas perfeitinhos em filmes e seriados e quer morrer com a realidade que tem. É muito decadência. É muita carência.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Telespectadora

Pronto. Bastava isso. Somente isso. Que é muito, aliás. Estranho foi eu não ter me tocado que isso seria o quanto foi.

Estar numa faculdade estranha, que não seja a sua e nem tenha qualquer ligação com, cheia de desconhecidos. E, ao mesmo tempo, tão igual.

Os boa-praças, que já te recebem cheios de intimidade, sorrisos. As meninas certinhas de clínica, que devem ter passado 5 anos em cima de livros, com quem você nem conversaria nos corredores e banquinhos. O professor que sabe perguntar sem ofender, ensina tudo e explica o mundo. Os meninos de grandes que usam botas e chapéus e fumam e provavelmente bebem até a morte (e com quem eu definitivamente andaria). A galera do dominó na cantina, batendo na mesa e gritando, matando aula. A menina que é comissão de formatura e já tá arrecadando dinheiro e organizando festas e fazendo tudo do seu jeito (oi?!). A guria na van com a exata mesma blusa da Organização do Trote, na mesma cor, no mesmo corte, com o mesmo símbolo.

E doeu, sabe? A saudade. De ninguém, de lugar nenhum, de nada em especial. E, ao mesmo tempo, de todos, de cada canto, de tudo. Porque eu já vivi isso tudo, eu já fui parte desse cenário. E hoje eu assisto. Não me pertence, por mais que meu corpo esteja aqui, porque eu tô só de passagem. E eu ainda quero estar, quero ter, quero ser. Não aprendi a desapegar do que eu era, não consigo deixar pra trás aquela Mariana. E por mais que eu saiba que eu nunca mais vou poder ser ela, nada disso se tornou concreto na minha cabeça.

Está chegando. E doi. Doí tanto.