quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Medicada

Família, a base de tudo.


E então minha família conseguiu o que nada antes tinha conseguido. Milhares de problemas, como mortes, idas semanais ao hospital, estresse de vestibular, faculdade filadaputa, comissão de formatura, miséria de não ter dinheiro nem pra comer ou pegar ônibus por meses. Todos problemas menos do que isso, menores do que o agora. Em somente três meses eles conseguiram.





No meio disso tudo, eu só penso em usar a mesma frase que usei nos meus agradecimentos do convite da formatura: "Agradeço a minha família, por NÃO me ajudarem, de nenhuma forma existente". Igual, mas ao contrário.

"Tenho irmãos, pai, mas não tenho mãe. Quem não tem mãe, não tem família." (Platão)


It must have been good but I lost it somehow


Eu cansei de falar. Na verdade, não é cansar a palavra certa, já que só contei pra quatro ou cinco garotinhas o sentimento do mundo. É não ter forças para. Porque de que vai adiantar? Fico com pena das pessoas por estarem com as mãos amarradas e fico com pena de mim mesmo quando me vejo pelos olhos delas.

Em janeiro falei uma frase no twitter: "julho, chegue logo. agosto, não chegue nunca". E, meu deus, a frase do ano. Porque resume tanto. E na época eu nem sabia da loucura gigantesca que iria ser esse fase pós-formatura. Era só um medo de virar adulta, de ir embora, de sair da faculdade.

Tem um post meu mais antigo (Bobo da corte) que falo que queria vir pra Brasília pra ser feliz todo dia, em vez de ser feliz esporadicamente, em alguma festa, cachaça ou viagem louca. Que tinha cansado de sorrisos gigantes e lembranças memoráveis, queria era paz de espírito diário. E hoje olho pro lado e vejo que não consegui nada do que esperava. Pelo contrário, até. Não deito na cama e durmo sem pensar besteiras, como imaginava. Afundo minha cabeça no travesseiro e choro a vida toda, tudo que eu poderia ser e nunca serei, tudo que eu poderia ter e nunca mais terei. Fiz uma troca injusta, tão injusta. Só perdi o que eu já tinha. E não era mais o que eu queria, mas era algo. Difícil é não ter nada, nem de vez em quando. Nada.

Me pergunto incansavelmente por que a vida me deu isso. Se vai ser sempre assim, essa sensação de não ter NINGUÉM ali por você, de não ter ninguém no mundo que faria tudo por você e te daria tudo. Alias, nem é tudo. Só quero o mínimo. Só quero alguém que queira que eu esteja lá, que goste de me ter como responsabilidade. Não por obrigação, não por pena, não por falta de coragem de me dizer não. Que realmente queira, me queira.

É todo dia escutando frases que nunca achei que ia escutar, sejam elas ditas na cara, sejam escutadas sem querer, sejam faladas por atos. Gente que ofereceu ajuda por anos e, veja bem, quando eu finalmente preciso, cadê? Abismo. Gente que abre a boca pra dizer pros outros que faria tudo que estivesse a seu alcance e, olha só, me nega o básico.

Vontade de ir embora, pra qualquer lugar, pra lugar nenhum, me entende? Porque você em algum momento senta na cama e observa o nada. Percebe que vai ser sempre assim e você nunca, nunca vai conseguir o que precisava. Dez anos procurando, em cada canto, em cada lugar E não existe mais, foi embora junto. E eu quero ir também.

É demais para mim. É muita decepção, por muito tempo, em muitas direções, com tanta força. Eu não aguento mais.


domingo, 30 de outubro de 2011

wake me up when this whole fucking life ends


Então que minha vida tá uma bagunça. Gigante. Enorme. Como eu nunca achei que estaria, hoje.

Tudo que eu previa para meu futuro, desmoronou. Está em branco. Algumas coisas eu perdi porque dependiam de outras pessoas e elas resolveram que não estão a fim mais. Outras coisas eu perdi por não querer mais, não ter mais vontade de fazer, de lutar para conseguir.

É engraçado que nos últimos três semestres (sim, ainda tenho alma de universitária e divido minha vida em períodos de seis meses), a vida foi tão simples. Ok, meu cu, não foi simples porra nenhuma. Mas as coisas davam certo dentro de um limite de defeitos, sabe? Como quando eu perdi uma matéria e fiquei com medo de não formar mais, mas aí no semestre seguinte consegui pegar todas as restantes e mais ela e ficou tudo bem. Ou quando meu estágio supervisionado no lugar que eu queria deu errado e eu tive que ligar pra minha orientadora de monografia quase chorando e pedindo para ela ser minha orientadora de estágio também. E deu tudo certo, eu fui e não sei se minha monografia tinha saído tão boa se eu não estivesse em Salvador no período. Fora que depois fiz um curso na faculdade que inicialmente eu queria estagiar e, meu deus, a 2° opção, a opção do desespero, era mil vezes melhor? E paixonites que deram errado e eu agradeço por ter me libertado rápido. E coisas da formatura que não saíram como eu queria, mas hoje vejo que deve ter sido até melhor. Ou seja. Tiveram bagunças, óbvio, QUANDO minha vida foi perfeitinha, quando a vida de alguém é? Mas eram situações onde sempre existiam alternativas, onde sempre existia aquele plano B e às vezes essas opções secundárias se tornavam até melhores. E eu podia fazer o drama que fosse, na época, ficar depressiva e irritada por uns dias, mas passava. Porque eu sabia que no final, ia dar certo.

Agora, silêncio. Eu nem sei se isso é o começo, o final, o inexistente. Como saber então se vai dar certo? Não vai. Todas as alternativas são inviáveis, todas tem erros maiores do que o aceitável, todas me fazem querer desistir antes mesmo de começar. Minha real vontade é pedir uma pausa da vida, dormir por uns 2 meses e acordar pra ver se as coisas melhoram.

Porque o pior de tudo é isso, a espera. Não posso resolver nada agora, não dá pra simplesmente arrumar uma mochila e sair resolvendo a vida. Não depende de mim, não posso adiantar o calendário. E ninguém sabe o quão angustiante é esperar uma coisa que você nem sabe se vai dar certo. E se eu esperar e esperar, engolindo orgulhos e insultos, pra morrer na praia?! E se eu estiver aqui, morrendo todo dia, num sacrifício infernal e constante, pra descobrir lá na frente que não adiantou de nada e, olha só, vou ter que recomeçar do zero, sem nem saber por onde, sem nem saber pra onde?

Eu me pergunto o que eu fiz pra merecer todas essas coisas. Me pergunto quando a vida vai deixar de ser filha da puta comigo. Me pergunto como as pessoas acreditam em karma, sendo que, se eu nem sacaneio ninguém, como posso estar assim hoje? Me pergunto como as pessoas mandam eu ter fé ou rezar ou pedir algo a deus. Se existisse um deus, ele saberia que eu choro até dormir quase todo dia. E me faria parar de ter motivos para isso.


"São manhãs submersas em recordações e saudades, a sonhar calada tudo o que quis e nunca tive mais o que mereço mas ainda não alcancei. Existe uma cadeira vazia no meio de mim. Vivo apenas os dias."

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

And suddenly, it's hard to breathe



Então que minha nova piada sarcástica é que mais dia, menos dia, eu vou ser a nova Poalli (TDUD). E nêgo ri, eu rio. Mas a risada quebra no final, porque há realmente um medo de isso acontecer (ou chegar bem perto). É provavelmente a 5° ou 6° vez que eu me sinto assim na vida. Assim, eu digo, de não ter nem um lugar para morar, um lugar onde as pessoas QUEIRAM que você esteja (ou pelo menos não se incomodem), sem estar morando de favor, sem correr um risco real de ser expulsa a qualquer momento, porque só a pena que os outros ainda possuem por você te segura ali mais tempo. Essa vez provavelmente é a pior, apesar de que todas as vezes que me encontrei nessa situação, terem sido as piores épocas da vida. Mas foi a vez que eu menos previa, foi a vez que aconteceu várias vezes em um curto intervalo e foi a vez que eu mais me decepcionei.

E nessa paralisia emocional que sempre fico quando meu futuro imaginado cai em meio a um vão, penso muito em uma coisa só. Em uma pessoa e como seria tudo diferente. E eu definitivamente não conseguiria explicar isso em palavras. Mas cheguei quase no fim do livro Vacaciones (que sim, estou relendo) e uma página resume tudo. Resume tanto.

hoje é aniversário de dez anos da morte do meu pai e estou aqui olhando para a parede tentando entender como é que dez anos passaram despercebidos. sem querer ofender sua inteligência nem nada, mas você percebe que dez anos são uma década? que em setembro, quando eu completar 22 anos, terei passado mais tempo sem meu pai do que com ele? de alguma forma o tempo deveria ajudar, mas a verdade é que não ajuda nada e, se possível, até piora. o fato de estar vivendo minha pior fase também não anima muito. suspiro. tudo conspira.

quando as coisas estão bem horríveis mesmo, eu me torturo pensando que tudo seria diferente e melhor se ele ainda estivesse vivo. mas daí eu penso que se ele ainda estivesse aqui não teria irlanda, não teria argentina, não teria são paulo... e sem essas mudanças não seria eu – esse eu sentado aqui escrevendo no blog –, mas uma pessoa diferente (melhor, talvez?) a quem eu ainda não fui apresentada, se é que serei um dia. mas quer saber? eu apodreceria em campinas até o fim da vida se pudesse ter meu pai de volta mesmo que só por um momento.

E é tão igual. Eu geralmente penso em coisas como "ah, se minha mãe estivesse viva, eu não iria ter vivido metade do que eu vivi na minha adolescência, não teria morado em Salvador, não teria feito UFBa, não conheceria minhas melhores amigas, não teria tido meus amores, provavelmente nem seria veterinária". E isso as vezes conforta, porque leva você a pensar que o destino deve realmente existir e as coisas ruins na sua vida te levam a crescer como pessoa, te levam a uma nova vida que você nem faria noção que existia se não fosse por aquilo. Mais ou menos aquela coisa de Efeito Borboleta e ei, aceite as tragédias da sua vida, porque sem elas tudo estaria diferente.

Mas aí a vida te mostra como ela é, como as coisas são na realidade. E você quer que se foda todos os dias bons, todos os sorrisos que você já deu e as lembranças boas que vem com eles, tudo que você é hoje e nunca seria se o caminho tivesse continuado igual. Eu trocaria todos os dias de festas e cachaças e carnavais que tive pra ficar em casa assistindo tv todos os dias. Trocaria veterinária por qualquer curso do Senai com um emprego de caixa de banco. Trocaria minha formatura, que foi o melhor dia do mundo, por uma conversa de duas horas me ensinando o que fazer. Seria qualquer pessoa, boba, ignorante, sem experiências, sem alegria, qualquer pessoa. Eu não me importo. Eu não me importaria. Porque hoje é um dos dias que eu passo por coisas que eu não deveria estar passando, coisas que eu não passaria se ela estivesse aqui, coisas que só ela não me permitiria passar.

É incrível, sabe. A falta que uma única pessoa pode fazer na sua vida. Sem essa babaquice de "cada pessoa é única, cada um faz falta". Falo da diferença que haveria aqui, agora, se uma pessoa só no mundo ainda existisse. The piece is gone, left the puzzle undone. É incrível. Inacreditável.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Kansas


Tem um episódio de Dawson's Creek que a irmã do Pacey explica para o Dawson que Mágico de Oz é a maior incoerência filmada. Porque Dorothy passa o filme todo tentando voltar para casa, sendo que sua casa é retratada sem cores, em preto-e-branco, deserta. Então por que ela trocaria um lugar colorido, mágico e cheio de aventuras para voltar? Ela diz que a frase "não há lugar como nossa casa" é a frase mais falsa do cinema. E eu, que achava essa a única referência à Mágico de Oz digna de ódio, começo a entender.


As pessoas tomam conta demais da sua vida. Inventam coisas sobre você, sobre o que você está pensando e como está se sentindo. Porque é tão difícil perguntar e acreditar na resposta, né? Deve ser uma técnica que se adquire com a idade, essa de saber mais do que a própria pessoa sobre a vida dela. Querem viver por você, saber o que é melhor, como você deve agir.

Eu não sei se vou aguentar. Pensei isso quando tinha exatos 7 dias aqui. E repito frequentemente desde então. Eu sabia que ia ter esses problemas, mas não imaginava (ou não lembrava) que eram assim, tantas vezes, em tamanha intensidade.

É insuportável. Me sinto sufocada, vigiada, presa. to-dos-os-di-as. É como se eu tivesse 15 anos a menos. É como se eu não tivesse morado 4 anos sozinha, sem a ajuda de nenhuma dessas pessoas. É como se existisse uma guerra pra me fazer odiar o outro lado. É como se eu não soubesse o que EU quero pra MINHA vida. É como se eu não pudesse decidir, pensar, sentir.

Começo a me arrepender de voltar pra casa.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Repetido ad infinitum

Há momentos em que toda a ajuda psicológica do mundo não resolve nada. Por vezes, é preciso que o tédio se instale.

Você se aborrece de ter sempre menos do que todo o mundo parece ter, menos do que aquilo que deseja. Então, começa a pensar que talvez mereça coisa melhor, não porque aprendeu a amar a si mesma, ou por ter perdido todos aqueles quilos, ou por ter assistido a um caso incrível no programa do Dr. Phil, mas simplesmente porque ficou entediada. Entediada com o mesmo tipo de sofrimento repetido ad infinitum. Foi isso que aconteceu comigo, eu acho.

(Ele não está tão afim de você - o livro)


E eu podia escrever tudo novamente, em outras palavras, mas tá aqui já: http://putissimatrindade.blogspot.com/2010/11/eu-nao-tenho-esse-dom-de-apaixonar-as.html

domingo, 25 de setembro de 2011

Verdade desnecessária

"Muitas pessoas acham que o oposto de ser falso é ser rude". Acham que podem usar essa desculpa para falar qualquer coisa que pensam. Soltam pela boca uma bandeira da verdade, como se fosse necessário ser escrota para ser real. Não é, nunca é.

Como sempre digo, sempre: no dia que as pessoas entenderem a diferença entre ser verdadeiro e ser inconveniente, as relações vão ser melhores e mais harmônicas.

Queria que elas entendessem a preciosidade de um silêncio. Não concorde com aquele pensamento, não ache bacana aquela atitude, não ache que aquela seria seu jeito de fazer. Mas também não julgue. Não queira moldar. Permita que os outros tenham poder de escolher, que tenham liberdade pra seguir seus caminhos.

As vezes as próprias pessoas sabem que não é aquilo que elas querem. Ou que não estão bem. Você não precisa dizer. "A gente não precisa perpetuar complexos e problemas de auto-estima." A gente não tem esse dever de apontar o dedo e mandar ser diferente. Não tem esse direito.

E é por isso que falam que eu fico tão revoltada quando alguém se mete na minha vida que as pessoas tem medo de falar comigo e eu me ofender. E eu vou. Porque não acho certo, não acho pertinente. Eu vejo tanta coisa errada, tanta gente otária, tanta atitude bizarra e fico na minha. Engulo, desvio o assunto, olho pro lado, vou comentar com outra pessoa. Isso não é ser fraca ou falsa. É saber que cada um age do jeito que quiser. E se eu sei disso, por que você não pode saber? Por que não pode também só escutar as histórias e rir? Por que não pode esperar uma opinião ser pedida para da-la? Por que não pode ME deixar ser do jeito que EU quero ser?

É tão absurdo que vira uma daquelas coisas indiscutíveis, que não dá pra pedir para o outro entender. Ou você vem com essa capacidade ou vira incapaz pro resto da vida. E quanta gente desqualificada, quanta. E a errada ainda sou eu.





quinta-feira, 22 de setembro de 2011

waiting, hoping, wishing


"Porque eu acredito no amor como verbo, não como substantivo. Acredito que a mulher que eu amo deve saber disso o tempo todo, pelos meus atos."

E é isso. As pessos tem que parar de achar que dizer um 'eu te amo" cura tudo. Eu costumava dizer que a frase mais linda que já ouvi era "minha vida se divide no antes e no depois de você", sem perceber o real uso da palavra 'depois'. Porque se ele quisesse estar comigo ainda, de verdade, a vida dele seria dividida no antes e no durante. E parece besteira pensar assim, "era só uma frase, não leve ao pé da letra", mas quando você analisa as coisas que passaram, distante, vê que é uma metáfora de tudo que aconteceu.

Aí penso também nas "provas de amor" que ele fez por mim. Os atos. De pegar uma estrada por 7h, em pé no onibus, pra me ver... Porque eu estava alucinada por saber que ele tinha beijado outra menina e porque eu ia sair com um amigo que dava em cima de mim no mesmo dia. De me ligar 80 vezes em uma manhã e passar a noite do lado de fora da minha casa e bater o carro.. Porque eu vi mensagens escrotas no celular dele. De se tornar a pessoa mais fofa do mundo, com declarações lindas, telefonemas de madrugada, mensagens o dia todo, surpresas e carinhos.. Porque eu tinha arranjado outro namorado e ele me queria pra ele ainda.

E percebi, aos poucos, que todas as grandes histórias tinham um porquê bizarro por trás, um motivo horrível pra ele estar fazendo uma coisa tão fofa. E eu não precisava estar com alguém que me fizesse passar pelo inferno pra depois fazer meu dia. Eu queria alguém que fizesse meu dia, todo dia, com poucas coisas, com little things. Porque amor é isso.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dating


Então, tava aqui pensando. A galera dos Estados Unidos com suas manias de fazer bailes durante a escola mudam todo um conceito de vida. Porque os adolescentes já são acostumados desde cedo a sair em casal, a convidar a menina/menino pra um encontro, a buscar ela em casa, ao que dizer (e fazer) no fim da noite. A sociedade já permite que eles pensem assim.

No Brasil, você vai pra festa com amigas. No máximo, pergunta pro cara se ele vai também, torcendinho pra ele chegar em você no meio do noite. Vocês se pegam num canto qualquer e vão pra casa sozinhos. Não tem a espera pra ver se vão te chamar (e quem vai), não tem as flores na porta de casa, não tem chegar no lugar de mão dada, não tem o cavalheirismo de pagar a conta, não tem o depois no carro, não tem romantismo nenhum. É patético.

Pior é que se isso fosse uma coisa exclusiva de adolescentes, vá lá, se entende. Mas a gente cresce acostumado com isso e fica meio abobado quando quer realmente encontros e não sabe como fazer funcionar. Ou o cara não tem atitude de convidar e fica esperando uma oportunidade, um evento em comum pra te ver ou os dois não sabem direito como agir e a noite toda se torna uma completa inconveniência, com "what the hell I'm doing here?" se repetindo mil vezes na sua cabeça.

E aí a gente fica vendo esses daitings e pedidos e despedidas perfeitinhos em filmes e seriados e quer morrer com a realidade que tem. É muito decadência. É muita carência.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Telespectadora

Pronto. Bastava isso. Somente isso. Que é muito, aliás. Estranho foi eu não ter me tocado que isso seria o quanto foi.

Estar numa faculdade estranha, que não seja a sua e nem tenha qualquer ligação com, cheia de desconhecidos. E, ao mesmo tempo, tão igual.

Os boa-praças, que já te recebem cheios de intimidade, sorrisos. As meninas certinhas de clínica, que devem ter passado 5 anos em cima de livros, com quem você nem conversaria nos corredores e banquinhos. O professor que sabe perguntar sem ofender, ensina tudo e explica o mundo. Os meninos de grandes que usam botas e chapéus e fumam e provavelmente bebem até a morte (e com quem eu definitivamente andaria). A galera do dominó na cantina, batendo na mesa e gritando, matando aula. A menina que é comissão de formatura e já tá arrecadando dinheiro e organizando festas e fazendo tudo do seu jeito (oi?!). A guria na van com a exata mesma blusa da Organização do Trote, na mesma cor, no mesmo corte, com o mesmo símbolo.

E doeu, sabe? A saudade. De ninguém, de lugar nenhum, de nada em especial. E, ao mesmo tempo, de todos, de cada canto, de tudo. Porque eu já vivi isso tudo, eu já fui parte desse cenário. E hoje eu assisto. Não me pertence, por mais que meu corpo esteja aqui, porque eu tô só de passagem. E eu ainda quero estar, quero ter, quero ser. Não aprendi a desapegar do que eu era, não consigo deixar pra trás aquela Mariana. E por mais que eu saiba que eu nunca mais vou poder ser ela, nada disso se tornou concreto na minha cabeça.

Está chegando. E doi. Doí tanto.